terça-feira, 21 de junho de 2016

O JOVEM SOLDADO

                                 O Jovem Soldado

                                Papus




Em Chamont-Sur-Argonne, perto de Pierrefitte, dentro de uma trincheira, um jovem alemão estava morto segurando perto de sua cabeça e  à altura dos olhos seu livro de preces...

Pobre vítima da loucura dos grandes, eu te saúdo e uno minhas orações àquelas  que iluminaram teu Espírito no momento da partida. Sentido a morte vir, tu bravamente preparastes tua alma  para a separação física e, obscuro herói, fizeste apelo àquele que nos ouve a todos... Que teu gesto seja abençoado. Que importa que sejas um inimigo de minha pátria e um enviado desses orgulhosos que têm sacrificado a flor de seus  homens  à baixa satisfação de sua ambição.

Pequeno grão de areia nesse choque imenso, tu partiste, tu obedecestes, e tu vieste te fazer esmagar fisicamente em uma trincheira qualquer no meio dos campos  da França e perto dos bosques... Mas se teu corpo tem retornado a essa terra que o nutriu e o fez crescer, teu Espírito, sobre o qual nenhuma força material tem domínio, se liberou e se elevou glorioso, no plano do empírio...
No coração de Nosso Senhor, não mais  amigos, nem inimigos, quando a terrível morte tem passado, não há mais que espíritos que são sacrificados pelo Ideal, e que têm chegado ao termo brusco de sua rota terrestre...

E o perfume da prece tem santificado teus derradeiros instantes... e eu passei e senti teu Espírito calmo em sua evolução bem conquistada, e  quis, eu também, unir minhas orações às tuas....
Inimigos de ontem, saibamos    comungar hoje no Ideal superior  às humanas querelas.

Tu tens  uma família, pobre pequeno, uma mãe que vai chorar, irmãs que te sobreviverão e irmãos que talvez te imitarão.
E todos, em sua dor, vão também se prosternar e orar.... Vítima inocente das ambições cegas contra a evolução consciente e luminosa dos povos livres, fizeste teu dever, mas a mão implacável do Destino te marcou com  teu dedo e tua evolução se concluiu.
Amanhã, retornarás a terra, mas terás bebido o lethe.... vítima incógnita....... eu te saúdo e oro contigo.......

Tradução da pág. 178 do livro “ Papus, Lê Balzac de L´Occultisme” de Philippe Encausse.